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Bem comer em Salvador

Nas férias de janeiro tive a chance e a sorte de passar dias incríveis em Salvador. Esse é um destino para o qual vou muito, e vou com gosto – literalmente.

Chega a ser aquele lugar sobre o qual acabo não falando, por ser tão comum a minha ida para lá. Para corrigir essa falha, além de falar da Lavagem do Bonfim, vou dar umas dicas de restaurantes bacanas. Alguns que conheci agora em janeiro, e outros – clássicos – que moram no meu estômago no meu coração.

Começando pelo Paraíso Tropical: esse é um restaurante que tem história, mas história mesmo, contada pelo chef Beto Pimentel. Uma figura super simpática, um super “jovem” que atualmente se encontra numa idade mais avançada, divertidíssimo e cheio de “causos” para contar. O restaurante fica no Cabula, mas você acha que está num sítio, de tanta árvore a sua volta… De tanta tranquilidade para se almoçar.

Lá comi uma das moquecas mais originais que já vi, a chamada “calapolvo”, que vem com camarão, polvo e lula. Uma delícia! O chef usa umas coisas diferentes, como maturi (a castanha de caju verde), decora com flores – comestíveis – e monta aquele prato lindo de se ver e comer. Ao final da refeição, eles sempre trazem frutas frescas e grelhadas para a mesa, tiradas ali do jardim do restaurante. Provei lá inclusive uma chamada achachairu… Já provou? Pois é, no Paraíso Tropical você tem dessas experiências.

 

Beto Pimentel
O bem-humorado Beto Pimentel

Outro lugar de adoração – da família, inclusive, que volta e meia se reúne lá – é o Donana! Outro lugar para os amantes de moqueca, essa numa pegada mais tradicional. Mas também deliciosa! A moqueca de camarão é a minha preferida, mas a família curte muito um camarão à Joel, que é feito no vapor com um tipo de vinagrete. Tudo lá é muito gostoso, e recomendo provar o camarão empanado na tapioca de entrada! Ah, e não deixar de comer a sobremesa de cocada mole com sorvete de coco verde… Na última ida, eu até desfiz da sobremesa e falei que não queria… Coitado do marido… Ele pediu e comeu acho que menos da metade da dele. Muito gostosa mesmo. Sugiro escolher a cocada branca e a queimada, um pouco de cada. Como diria o chef Dudu Camargo, “escuta o cheiro”:

Como em janeiro fiquei para o lado de Stella Maris, pudemos aproveitar para conhecer alguns lugares mais afastados do local que ficamos habitualmente. Fomos a três casas que indico em Itapuã, que acredito que valem a visita:

Casa di Vina: Quando me indicaram esse lugar, fiz uma ideia mental de ser “Casa Divina”, um nome bem interessante, achei… Depois, descobri que era Casa di Vina, e Vina é o apelido de Vinícius de Moraes. O restaurante fica na casa que foi de um dos poetas mais famosos do Brasil, e dá para entender porque ele gostava de passar uma tarde em Itapuã. O lugar é super bonito, tem um jardim enorme e conta com uma área para crianças. Há quadros e fotos do poetinha na decoração. O atendimento super cordial e havia desde frutos do mar a massa. Os pratos de frutos do mar foram aprovados. Já o nhoque de gorgonzola com nozes não estava numa noite muito feliz e ficou no prato de um dos familiares. Comi um com funghi que estava melhor, mas se fosse recomendar sugeriria outra massa. Nhoque é uma coisa séria, e o de lá realmente não estava lá essas coisas… Bonito, boa apresentação – mas achei um pouco massudo. Os demais pratos estavam bem apresentados e executados. Fica a dica para ir para esse lado do cardápio.

Mistura: o já tradicional e ex-Mistura Fina é uma casa especializada em frutos do mar. Ambiente grande, clean, comida boa e farta, uma excelente pedida para quem quer comer bem por ali na região. Pedi um risoto e achei super bem executado, aquele prato que corresponde exatamente a sua expectativa. Atenção apenas a um detalhe – que achei falha do serviço: na porta, vimos ao sair, havia um cardápio de um menu executivo. Ele não foi oferecido em nenhum momento, e parecia uma opção interessante.

 

Cathedral: minha filha disse “esse é o restaurante mais chique que eu já fui”! O lugar é enorme, com lustres trabalhadíssimos, cadeiras de veludo e toalhas de tecido adamascado. É uma casa de culinária ibérica, então há muito bacalhau no cardápio, e tapas também. Ah, também tem comida japonesa, mas no dia que fui essa opção não era servida.

O lugar é enorme. No dia que fomos, estava bem tranquilo. O atendimento foi super cortês, inclusive um familiar não estava se sentindo muito bem e o garçom foi muito amável e prestativo.

Gostei da comida. Os pratos eram bem servidos e o que eu comi estava muito bom. Pedimos entradinhas também de queijo com geleia e estava uma delícia.

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O único porém que fez a gente perder o rebolado: na primeira página do cardápio há um textão dizendo que não cobram 10%, que se for cobrado é para avisar, que não utilizam essa prática… Pois bem, na hora de pagar a conta, o garçom disse “os 10% tem que ser pagos à parte”… Questionamos e ainda assim ele disse que deveria ser pago. O maitre estava perto… Ficou aquele constrangimento, e pagamos. Mas sabe quando dá um gostinho amargo no final? Porque eu pensei: ou bem cobram – e o serviço foi bom, foi tudo certo, comida boa – ou bem arrancam essa página do cardápio. Entramos em contato depois com o restaurante, e não havia gerente no dia seguinte, nem no outro. Deixamos o telefone e estamos aguardando até hoje o contato. Fiz essa crítica no Trip Advisor e o proprietário ficou #xatiado, disse que mandou o garçom embora e que eu não devia criticar o restaurante por isso… Só que a sensação que fiquei é que, naquele dia, todos estavam de acordo com a prática, pois o maitre estava junto e também não se opôs… Ligamos no dia seguinte e nada… Ninguém que tivemos contato se mostrou surpresou ou mesmo indignado com o suposto “mal feito” de quem cobrou… Enfim… Mas concedendo o benefício da dúvida, indico o restaurante pela comida e iria novamente com amigos, se fosse o caso. Mas, se optar por ir, vá avisado – e questione antes se o que está escrito é o que vale!

Ah: lá havia um espaço kids com video game – não sei quais, porque nosso público não ficou. É uma sala um pouco mais afastada do salão principal. Outra coisa: é um lugar bem legal e que convida as crianças à exploração… Pelo menos as nossas adoraram passear pelos andares e descobrir o que havia. Acredito que foi possível por ser um dia bem tranquilo.

Pedra Puã: esse foi indicado por duas pessoas de círculos completamente diferentes, o que me fez ficar ainda mais curiosa. É um restaurante que funciona na casa do Yuri Alvares, chef do restaurante. E é um lugar do jeito que gosto: aconchegante, com uma culinária inovadora e atendimento carinhoso. Por exemplo: uma das crianças dormiu e nos arrumaram almofadas para criar uma “cama”…

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A comida é bem legal: umas coisas bem diferentes, bem fusion se é que esse é o melhor termo. Pedimos de entrada um marisco chamado rala coco, aparentado da lambreta. O legal é que não é só o marisco… A descrição é “rala coco na cerveja ao bafo de capim santo”. Eu não curto muito, mas o pessoal gostou. Detalhe: trazem lavanda para limpar as mãos… Adoro esses pequenos cuidados! Pedimos de entrada também um camarão com jambu – apesar de estar na Bahia, o Pará e o Amazonas me encontram. Caso de amor! O jambu, segundo informaram, era da horta do restaurante!

De prato, pedi um escondidinho de banana com camarão que estava divino! Eu gosto dessas misturas de doce com salgado. Ainda foi pedido um prato de camarão e uma parte do grupo dividiu uma travessa de frutos do mar – não lembro agora o nome … Mas havia lagosta, camarão, mexilhão… muita coisa! E não se engane: esse de frutos do mar serviu 4 pessoas, depois das entradinhas…

De sobremesa, um creme brulé de licuri que também estava bem gostoso!

Pedra Puã

De todos esses da região do Itapuã, o Pedra Puã é o que mais me agrada no conjunto. Lá, a inovação é na comida… E é de comer que eu gosto!

De volta para os lados mais “centrais” da cidade, as opções também são bacanas.

Du Chef:

Fomos com um grupo de amigos queridos nesse que é um restaurante com uma pegada bem bacana também. Fica a uma caminhada do Farol da Barra e todos os pratos têm nome de praias.

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O chef é surfista e já viajou pelo mundo curtindo as praias. A esposa é sommelier, então, se for do seu interesse, ela pode ajudar e dar dicas de harmonização. Aqui, a minha dica é a entrada e a sobremesa, que foi o que mais curti…

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Ali à esquerda é uma manteiga com canela. Muito gostosa! E do prato de sobremesa não deu tempo de tirar foto… Mas digo que era um apanhado de diversas sobremesas em versão mini, onde você consegue provar um pouquinho de tudo! Se for lá, seja feliz se jogando nos docinhos!

Ficamos numa mesa de frente para a cozinha. E fico pensando: será que o povo tem que medir as palavras porque estamos ali?

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E, também pertinho do Farol da Barra, fica a última dica e um dos lugares que mais curti ter descoberto nessa viagem – o outro foi o Pedra Puã:

Casa Vidal:

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Toda vez que você vai num restaurante que “está” primeiro lugar do Trip Advisor você fica tentando achar a explicação – ou pelo menos ver se é justa a colocação. Salvador é uma cidade grande, com lugares maravilhosos para se comer, como os que já citei acima,  outros que já conheci – como o Casa de Teresa – e outros que ainda estou por conhecer…

A Casa Vidal foi indicação, como sempre, certeira de uma madrinha de casamento e amiga querida. Ela conseguiu reservar uma mesa para nós. Chegando lá, entendi a necessidade: a casa é pequena e simples, um número de mesas reduzido, o que torna o lugar ainda mais aconchegante.

Aí, você recebe o cardápio e vê a história… Gente, eu adoro uma historinha, especialmente se envolve romance!

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Descobri que o restaurante é o resultado a parceria de vida de uma brasileira e um espanhol, que se conheceram em Londres e vieram batalhar pelo seu sonho em Salvador. Já gostei. Aí, você vê o cardápio e se sente tentado a provar várias coisas… Meu marido gosta de cardápio com fotos dos pratos, e providencialmente o garçom nos estendeu um tablet, onde dava para ver cada iguaria:

casa vidal
Foto ajuda ou atrapalha? Quem gosta de cardápio com foto?

Já falei que sou a louca do steak tartar? Pois é… Onde tem, geralmente eu provo. E estou ficando bem chatinha com relação a gostar, porque não é só carne crua… Tem que ter borogodó. O do Casa Vidal estava sensacional!

Casa Vidal
Essa batata, bicho…

Juro que fiquei com vontade de pedir filé… Tinha um filé Wellington que me deixou muito curiosa, mas, estando na Bahia, acabei optando por risoto de camarões. Estava ótimo e foi uma excelente pedida – mas fiquei curiosa sobre o filé e na próxima ida a Salvador vou tentar matar essa vontade!

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Minha “dinda” foi de polvo grelhado. Eu, que nem de polvo gosto, achei o prato uma pintura, olha só:

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Pesquisando dados para esse post, achei essa imagem no site do restaurante:

we believe in love
A Casa Vidal é amor

E, depois de todo esse depoimento, afirmo que dá para entender porque o restaurante estava no primeiro lugar do Trip Advisor quando visitei – um lugar que tem afeto, comida boa, história, execução perfeita, apresentação delicada… Tudo de bom! A Vivi, que é a esposa do chef Juan, faz questão de passar em todas as mesas e ver se está tudo a contento. Estava tudo ótimo – o problema é o gostinho de quero mais!

Por fim, uma refeição genial e deliciosa, com a melhor vista que existe, acessível a todos e que não pode ficar fora da sua visita:

Porto da Barra
Vraaaaaaaa!

Se a fome for grande, pode ampliar o cardápio praiano:

Encerro essa listinha ressaltando que é apenas um conjunto – mínimo – de dicas… A cidade pulsa e tem uma gastronomia fantástica! Surgem sempre novidades, e há ainda lugares sobre os quais ouvi falar e não tive a chance de ir – mas só ouvi elogios: Larriquerrí e Cuco Bistrô. O primeiro não consegui conhecer por falta de vaga – lotados todos os dias… O segundo, por falta de tempo. Mas, se o Senhor do Bonfim me ajudar e permitir, ainda esse ano mato essa curiosidade.

Recomendo fortemente fazer reservas, viu! A Casa Vidal e o Pedra Puã são restaurantes pequenos, onde a oferta de lugares é limitada. Mas nos demais também não custa reservar…

Observação: revisando esse post, antes da publicação, notei que além do A Casa Vidal, também o Paraíso Tropical e o Casa de Tereza me foram apresentados por essa querida madrinha de casamento… Carol, muito obrigada por dicas sempre tão certeiras e companhia sempre tão agradável… Na próxima ida, quero ver qual a novidade que você vai me apresentar! E também sempre “os amigos do meu cunhado” me levam a lugares bacanérrimos! Não vejo a hora de ir de novo para Salvador e ver onde vamos tomar uns bons vinhos!

Se alguém quiser deixar informações e contribuições nos comentários, aceito de bom grado! E espero que alguma dessas dicas caiba na sua viagem para Soterópolis! Amo Salvador, amo comer… Já viu, né… Deu match!

 

 

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