EUA

As mudanças no Sea World

Há algum tempo eu li que o SeaWorld pretendia ampliar suas áreas de observação dos animais através do projeto BlueWorld. Um pouco depois, li sobre uma decisão da California Coastal Commission que aprovou a ampliação da área para as orcas, mas que proibia que o parque continuasse a reprodução desses animais em cativeiro.
Já no ano passado eu havia lido em reportagens como essa que o SeaWorld da Califórnia ia parar de reproduzir orcas em cativeiro. Li aqui que o CEO dos parques, com essa decisão, repensaria com cuidado a expansão, pois não haveria sentido fazer investimento para no futuro não ter animais para habitar a expansão. E lembro também que ele disse que inicialmente iam acabar com os shows de orcas na Califórnia, mas os outros parques continuariam tendo as apresentações. O evento da morte de uma treinadora durante um show em 2010 e o posterior documentário Blackfish (que eu não assisti ainda) deu força a um movimento de pedir o fim do show com as orcas – na verdade, os movimentos em defesa dos animais querem o fim de qualquer show/ação que represente exploração animal.
Será que até o “fusquinha” vai mudar?

Pois no dia 17/03/16 o SeaWorld anunciou que vai parar mesmo de reproduzir orcas em cativeiro. E essa foi a notícia que mais li em todos os blogs que falam sobre parques de Orlando (como aquiaqui e aqui). Parte da nota oficial diz:

“SeaWorld also will introduce new, inspiring, natural orca encounters, rather than theatrical shows, as part of its ongoing commitment to education, marine science research, and rescue of marine animals. These programs will focus on orca enrichment, exercise, and overall health. This change will start in its San Diego park next year, followed by San Antonio and then Orlando in 2019” (Tradução livre: SeaWorld também vai trazer para os parques encontros mais naturais e inspiradores, ao invés de show teatrais, como parte do seu compromisso constante com a educação, pesquisa sobre a ciência marinha e resgate de animais marinhos. Esses programas terão foco na melhoria da qualidade de vidas das orcas. A mudança começará no parque de San Diego no próximo ano, continuará no de San Antonio e chegará ao de Orlando em 2019). 

Como disse o pessoal do Vai pra Disney, as orcas tendem a viver muitos anos, então ainda haverá um bom tempo para as pessoas verem as “baleias assassinas” nos parques.
Mas já notávamos uma mudança na proposta do SeaWorld quando começaram a criar atrações mais radicais. A Kraken, o Atlantis e a Manta já davam início a uma mudança de atrações no parque (na minha humilde opinião). Pensava assim: eles querem oferecer um mínimo de concorrência na cidade ao Ilha da Aventura com suas atrações radicais, como a Hulk, sem contudo exigir que o visitante vá a Tampa aproveitar um parque do grupo – o Busch Gardens.

Para 2016 o parque anuncia uma novidade que nada tem que ver com animais: a inauguração da Mako, montanha-russa super radical que deve começar a funcionar no verão americano (junho-agosto de 2016). A área toda será temática de tubarões, e concentrará o já bem falado Sharks Underwater Grill.

 

Desenhos da Mako: aqui

 

Visão aérea do SeaWorld: olhem quantos trilhos de aventura!
Foto do Orlando Sentinel

Logicamente que o comportamento do público consumidor teve relação direta com essa decisão de “ter a última geração de orcas”. Nota-se pelo dito aqui que o parque está sentindo no caixa a queda de arrecadação, por conta de campanhas para que os visitantes deixem de incentivar/visitar o parque. Como dito pelo repórter Sandra Pedicini do Orlando Sentinel aqui, e em minha tradução livre “o parque espera reverter um pesadelo de relações públicas que gera a perda de milhões de dólares devido à perda de visitantes e taxas”.
Em reportagem feita pela Bloomberg somos informados que o parque sente que a perda de clientes tem relação direta com os shows com as orcas: os clientes mudaram sua ideia sobre o show… E também a competitividade se acirrou: a Disney trazendo atrações da Pixar e o Universal trazendo o mundo de Harry Potter para dentro dos parques são outros fatores que estão impactando os resultados do SeaWorld. Eles dizem e eu traduzo livremente em seguida:

For SeaWorld, whose logo features an orca’s dorsal fin, Blackfish has gone from being a public relations problem to a potentially catastrophic threat to a $1.4 billion-a-year business(para o SeaWorld, cujo logotipo é uma orca, o documentário Blackfish foi mais que um problema de relações públicas. Tornou-se uma ameaça catastrófica no montante de USD1.4 bilhões ao ano).

Confesso que eu mesma mudei ao longo do tempo com relação à apresentação com os animais. Já havia assistido várias vezes… Em 2009 fui e fiquei encantadíssima com o Believe. Emocionada até… Já em 2014 o que notei é que me diverti bem menos assistindo ao show… E vi que as acrobacias com humanos continuam sendo feitas com os golfinhos, e eu fiquei achando tudo muito esquisito mesmo… A minha percepção mudou ao longo do tempo. Fiquei com pena dos bichinhos, tendo que fazer força para empurrar os treinadores.
Tenho minha Shamu de pelúcia e ela é um xodó. Mas acho que realmente o fim dos shows acrobáticos tem seu valor… E o parque está mudando, trazendo outras atrações. A área infantil é super gostosa, e foi difícil tirar nossa filha de lá na viagem passada.

É um trabalho hercúleo tentar distinguir o bom do ruim nesses casos. Mas parece que a pressão popular está causando mudanças. Como será o SeaWorld quando a geração de orcas atual não existir mais?
Espero estar viva para ver o que vai acontecer, e se possível, trazer essa informação para cá!
From the Web

– See more at: http://www.sandiegouniontribune.com/news/2015/nov/09/seaworld-san-diego-phase-out-killer-whale-show/#sthash.OOvbMQHE.dpuf

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